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VIDA A DOIS Juventude, sonhos, anseios, paqueras, encontros, namoros. Poesia, expectativas, almas gêmeas, envolvimento familiar, noivado e, finalmente, casamento. Tempos depois... Filhos, trabalho estressante, desemprego, despesas, violência urbana, egos mostrando faces desconhecidas, mudança de comportamento dos familiares, encanto findando, tédio chegando... Personalidades se modificando, amor esfriando, vazio se apossando, distanciamento se iniciando, separação acenando... Parece pessimismo, mas é realismo puro, fato corriqueiro em nossos dias e em épocas diferentes também. Será o amor algo temporário, frágil, impossível de ser vivido? Imaginemos um casal em que a mulher se renova com o passar dos tempos e o marido fica estagnado desde o início do casamento. Na verdade, são dois estranhos, cuja linguagem fora de sintonia se torna geradora de atritos. Há casos de mudança de personalidade tão acentuada, que muitos casais nem se olhariam caso se reencontrassem no momento atual. Quando um coração feminino se abre a um homem, suas energias migram, alojando-se nele. O mesmo acontece com o homem em relação à mulher. Algo os transforma, colocando-os numa esfera colorida em que a convivência passa a ter um novo alento. Enquanto a fase dourada do namoro e das descobertas se desenrola, modificações significativas ocorrem nos dois. Sem que percebam claramente, suas vidas modificaram-se totalmente... A continuidade dependerá de ambos a todo o momento. José Antonio Sespedes . |
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