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NO ACONCHEGO DO LAR OU NO CAOS DO DESENTENDIMENTO
Muitos dos problemas que a sociedade enfrenta têm origem dentro de casa. Não tendo estrutura familiar, muitos jovens se lançam ao desconhecido, tentando achar uma resposta para suas expectativas. Como nem sempre a encontram – ao contrário, deparam com a dura solidão daqueles que não têm com quem repartir suas vitórias e seus fracassos –, fecham-se em si mesmos, procurando novas experiências, influenciados por “amizades” que partilham da mesma sorte, e passam a ter algo em comum. Nessa condição, tudo pode acontecer: desde fatos positivos até uma mudança na maneira de agir, optando-se pelo lado nebuloso da personalidade, que abre caminhos para tudo o que é pernicioso. A depressão entre jovens é mais comum do que imaginamos. Nesse estado, muitos entram em desespero e, tentando escapar dessa situação, buscam no álcool e em outras drogas uma saída. Na ilusão traiçoeira de terem momentos de “liberdade” e “êxtase”, violentam seu cérebro, aniquilam sua personalidade, viram presas inofensivas e dependentes nas mãos de hábeis oportunistas...
Muitas casas deixam de ser um lar aconchegante por problemas que poderiam ter sido evitados desde o início da vida a dois, que foram se agravando com o passar do tempo: muitos pais param de dar a atenção necessária a seus filhos sob pretextos que nem sempre convencem; subestimando a inteligência e a sensibilidade dos jovens, deixam de dar o exemplo, cobrando atitudes que eles mesmos não têm. Há também os que insuflam o ego de seus filhos como forma de compensar suas próprias frustrações e acabam pondo fardos pesados em suas costas, interferindo de maneira negativa em suas vidas. Para sair do caos do desentendimento, será necessária uma releitura do comportamento familiar, encontrar o ponto de equilíbrio entre o ontem e o agora, o antigo e o novo, a omissão e a superproteção. Quem quiser ganhar seu filho, deve inverter o processo, desvencilhar-se de conceitos em desuso, partir ao seu encontro, sem esperar ser entendido, mas sim captando seu momento, deixando de avaliar seus atos pelo prisma de suas experiências passadas e, junto a ele, vislumbrar uma nova realidade que, apesar de se parecer com a já vivenciada, apresenta-se novinha em folha dentro de uma nova circunstância, e que poderá resgatar seus triunfos jáamarelados... Restabelecer o elo rompido faz com que tanto o pai como a mãe encontrem a si mesmos na jornada iniciada em outros tempos.
Ao tornar-se avó, a mulher partilha outra vez daquele instante divino vivido anteriormente, dotada de um novo corpo e, em um outro ângulo de visão, nutre-se da maternidade novamente, dando um novo alento à sua vida.
José Antonio Sespedes
Autor do livro: Depressão, um beco com saída...
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